A gestão municipal voltou a ser alvo de críticas por parte de vereadores da própria base de apoio na Câmara Municipal de Maceió. Durante a sessão desta quarta-feira (2), parlamentares denunciaram uma suposta perseguição a centenas de vendedores ambulantes que atuam nas praias da capital.
Segundo os vereadores, os ambulantes têm sido abordados por fiscais da Prefeitura, que alegam ser proibido o comércio com carrinhos e a permanência de vendedores na faixa de areia. Para os parlamentares, a medida é injusta e falta transparência por parte da Secretaria Municipal de Segurança Cidadã.
O vereador David Empregos (UB) foi o primeiro a se manifestar sobre o tema. Ele afirmou ter se reunido com ambulantes entre as praias de Ponta Verde e Pajuçara, que relataram apreensões de mercadorias e proibição do uso de carrinhos de vendas. A situação gerou revolta entre os trabalhadores, que ameaçaram realizar um protesto em frente à Prefeitura.

Diante do impasse, David tentou contato com a Secretaria de Segurança Cidadã, mas afirmou não ter sido recebido nem pelo secretário Eduardo Marinho nem por outros representantes da pasta. A repercussão só aumentou após o vereador divulgar o caso nas redes sociais. Em resposta, o próprio secretário negou que houvesse qualquer proibição formal, classificando a situação como uma “fake news”. Apesar disso, a desconfiança permanece entre os trabalhadores e os vereadores.
A vereadora Silvânia Barbosa (Solidariedade) também se pronunciou, destacando que a proibição inicial estaria relacionada à venda de bebidas destiladas em garrafas de vidro. Contudo, segundo os ambulantes, até mesmo a comercialização em vasilhas plásticas estaria sendo impedida por agentes da Vigilância Sanitária.

Silvânia alertou ainda para a desorganização da orla de Maceió e a presença de ambulantes de outros estados, o que pode agravar o cenário com a chegada das festas juninas.
O vereador Leonardo Dias (PL), líder do governo na Câmara, tentou amenizar a crise, alegando que a orla da cidade sofre há anos com desordem. Segundo ele, há desde pequenos ambulantes com carrinhos de espetinho e bebidas, até comerciantes com mais de 10 carrinhos de milho infiltrados entre os trabalhadores. Para ele, a regulamentação da atividade é urgente para evitar o caos.
Diante da polêmica, foi marcada uma audiência pública na Câmara para discutir o futuro dos ambulantes e a criação de regras claras para o comércio nas praias. A proposta inclui ainda a participação do Ministério Público para garantir um processo justo.
Além do tema da orla, os vereadores também criticaram a Prefeitura pela falta de infraestrutura nas comunidades da Chã Nova e Monte Alegre, na parte alta da cidade. Segundo o vereador Tales Diniz (PSB), mais de 3 mil moradores vivem em 700 residências sem acesso adequado a creches, escolas, postos de saúde e transporte público. A única via de acesso é uma estrada de terra que passa por uma propriedade particular.
David Empregos e Cal Moreira (PL) também se solidarizaram com as comunidades, destacando problemas como coleta de lixo e abandono histórico. O presidente da Câmara, Chico Filho (PL), reforçou que há mais de 10 anos os parlamentares lutam por melhorias nessas localidades.
O vice-prefeito e secretário de Infraestrutura, Rodrigo Cunha (PSD), prometeu melhorias no acesso às comunidades. Porém, Chico Filho alertou que a população espera por ações concretas, e não apenas promessas.